Crianca quer correr, sorrir, sentir-se amada, fazer bagunca, enfim, viver intensamente.
E nosso dever mostrar-lhes a direcao da vida e, isso nao e tao simples assim.
Com certeza, se fossemos definir nossa inspiracao, sendo pais, a razao primaria pela qual enfrentamos adversidades, ou abrimos mao de certos sonhos e porque queremos ver nossos filhos realizados.
Ocorreu lembrar-me de uma senhora idosa que observei ha tempos atras. Na festa de noivado de sua filha cacula, uma profissional formada e de futuro promissor, aquela senhora admirava-se do evento.
Na sala repleta de parentes e amigos, fotografias antigas, musica e sorrisos, as familias assentadas a mesa, trocavam anedotas sobre a infancia dos dois jovens que, apaixonados, estavam prontos a iniciar sua propria jornada.
A matriarca, com um sorriso quieto, escondida de seu verdadeiro glamour, acompanhava tudo de uma forma surreal. Com certeza, ela tinha ali seu lugar de honra. Mas, muito mais tinham as lembrancas de uma vida sacrificada, entes queridos perdidos a distancia, corpo castigado pelo trabalho fisico, tipico de uma profissao bracal aceita por imigrantes na America, em troca de sonhos. E, assim entao, la estava ela, apreciando o momento culminante em que ve sua geracao, voando livre na terra que escolheu para abencoar o seus. Era quase uma sinergia. Eu observei naqueles olhos a mim mesma, e contive meu soluco.
Corremos e cansamo-nos, e na fe de que o amanha nao e so uma promessa, acordamos e repetimos tudo novamente.
Ha ocasioes em que sentimo-nos perdidos entre as lutas. Mas, eu particularmente, entao, remeto-me a licao de vida de meus proprios pais. E, as muitas vezes em que superaram-se a si mesmos e, venceram.
A geracao deles nao costuma elaborar muito. Talvez, na intencao de nao reviver dores. E, eu curiosa sobre aquilo que me faz ser quem sou, vou perguntando e descobrindo aos poucos, em conversas de fim-de-tarde ao telefone, ou comentarios casuais nas visitas que recebo.
Eu resolvi que devo compartilhar experiencias com meus filhos. Especialmente, quando trata-se dessa aventura que e viver numa terra nova. Falo das vezes em que chorei, tentando expressar-me na nova lingua, da falta de identidade definida, da saudade que tenho da minha familia e amigos, da infancia brincando em contacto direto com a terra e plantas, da escola, da igreja, das travessuras, dos acertos e erros que o tempo vai levando. Falo disso e daquilo e, eles fascinados, riem comigo e, me dao um abraco, acompanhado de "mom, I love you", quando sentem que parte de mim ainda vive numa terra distante chamada Brasil. E, essa conexao nao tem preco.
Penso que e importante compartilhar. Nossas raizes sao parte da historia deles. E, essa e a diferenca que os farao mais fortes. Estou convencida de que terao mais consideracao pelas paginas viradas no decorrer de suas proprias experiencias.


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